Sangue Indígena, Nenhuma Gota a Mais!

A SDDH participou das atividades em apoio à luta dos povos originários do Brasil. Realizado atos de protestos e manifestações pelo país nesta quinta-feira,31, tinha como objetivos denunciar as crescentes ameaças que os povos originários e seus territórios têm sofrido, assim como repudiar as ações decretadas pelo governo Bolsonaro através de medidas sobre as demarcações, licenciamento ambiental, precariedade no atendimento aos povos e a transferência de atribuições para o Ministério da Agricultura e Pecuária e para novo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos caracterizados como retrocessos impostos pelo Estado brasileiro.

Vários atos ocorreram em diversos municípios paraenses. A SDDH esteve presente nas ações em Belém e Altamira onde foram protocoladas um documento em defesa dos povos. Na capital paraense foi protocolada uma representação na sede da Procuradoria da República no Pará (MPF). Em seguida, a SDDH, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e representantes de aldeias se reuniram com o Procurador Felipe de Moura pra tratar sobre a questão e no final do dia um ato político e cultural foi realizado pelas ruas da cidade.

Em Altamira ocorreu uma roda de conversa sobre mineração e violações de direitos no Xingu promovida pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Movimento Xingu Vivo Para Sempre. 

 

Na ocasião as organizações lançaram uma CARTA DOS MOVIMENTOS DO XINGU CONTRA O MODELO DE MINERAÇÃO BRASILEIRO.

Leia a seguir:

Nós, defensores e defensoras dos direitos humanos, movimentos e organizações populares da região Transamazônica e Médio Xingu somos solidários às famílias e aos povos tradicionais atingidos pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG) e queremos externar nossa indignação diante das perdas de centenas de vidas humanas, com o despejo de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minérios espalhados pelo Estado de Minas Gerais, com número de vítimas crescentes, além da morte de mais um rio, Paraopeba, afluente do São Francisco. Trata-se do maior desastre da década envolvendo barragem.

Preocupa-nos imensamente a situação no Brasil, das 723 barragens consideradas de alto risco e alto dano potencial associado, segundo a Agência Nacional das Águas (ANA). Destas, 45 possuem risco iminente de se romperem. No Pará, são ao menos 18 barragens de alto risco[1]. Outras 9 barragens de rejeitos estão previstas nessa região sem que o Estado ou a Secretaria do Meio Ambiente tenham respeitado o direito de Consulta das populações que vivem no interior da floresta.

 Preocupa-nos a possível liberação da implementação do Projeto Volta Grande de mineração da empresa canadense Belo Sun na Volta Grande do Xingu, que pretende explorar 150 toneladas de ouro, a maior mina de ouro a céu aberto do país, no município de Senador José Porfírio (Souzel), Pará, e toda a agressão à natureza e o envenenamento do meio ambiente. IBAMA, Ministério Publico Federal (MPF), o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e especialistas da Universidade Federal do Pará (UFPA) já condenaram o projeto.

Exigimos o imediato cancelamento do projeto Volta Grande de Mineração da Belo Sun!

Exigimos que sejam descomissionadas todas as barragens que estão em risco de rompimento e que todos os projetos de mineração que seguem o mesmo modelo de extração e de barragem das minas em Mariana e Brumadinho sejam cancelados. Exigimos também a punição exemplar de todos os responsáveis por esses crimes!

Reafirmamos nossa luta em defesa da vida e dos povos indígenas, tradicionais e quilombolas e contra todo projeto de saque de nossas riquezas. Apontamos como saída outros paradigmas de vida, onde seres humanos e a natureza convivam em uma relação de equilíbrio sem exploração para garantir o bem-estar das pessoas e os direitos da natureza.

Altamira, 31 de janeiro de 2019

Assinam esta carta:

Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB); Casa de Educação Popular (CEP); Levante Popular da Juventude; Movimento Xingu Vivo Para Sempre; Sociedade de Defesa dos Direitos humanos – SDDH; Movimento Negro; Coletivo de Mulheres Negras; Movimento de Mulheres Trabalhadoras de Altamira do Campo e da Cidade; Coletivo de Mulheres do Xingu, Centro Acadêmico da Faculdade de Etnodiversidade; Coletivo Mães do Xingu; Território Livre; Editoras Associadas do Xingu; Sintepp; Frente Brasil Popular; Frente Povo Sem Medo; CIMI, Fórum em Defesa de Altamira, Pastorais Sociais, Comitê REPAM Xingu, REPAM-Brasil, Obras Sociais da Prelazia do Xingu, CPT, Conselho Ribeirinho, Associação dos Moradores da Volta Grande do Xingu, Cooperativa Mista dos Garimpeiros da Ressaca, , Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), Fundação Viver Produzir e Preservar (FVVP), Federação da Agricultura Familiar do Estado do Pará (FAFPA), Conexão Dançar África Brasil, Comissão de Justiça e Paz da Prelazia do Xingu, Associação de Moradores do Bairro Jardim Independente I (Ambaji).

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[1] No rio Trombetas, a população quilombola de Oriximiná convive com 25 barragens da empresa Mineração Rio do Norte, que tem a empresa Vale como sócia e explora Bauxita no interior da Floresta Nacional Saracá-Taquera.

#JANEIROVERMELHO #DEMARCAÇÃOJÁ #VISIBILIDADEINDIGENA

Fotos: SDDH 

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