ELDORADO DO CARAJÁS: EM DEFESA DE MEGAEMPRESÁRIO, JUIZ AMARILDO MAZZUTI ORDENA DESPEJO DE 212 FAMÍLIAS DO ACAMPAMENTO DALCÍDIO JURANDIR.

 

Raphael Castro.

Em audiência realizada hoje, 11, no Fórum de Marabá, o juiz Amarildo Mazzuti, da 3ª Região Agrária de Marabá, determinou o despejo das famílias que vivem e trabalham no acampamento Dalcídio Jurandir, no município de Eldorado dos Carajás, no Sudeste do Pará.

O Acampamento Dalcídio Jurandir é formado por 212 famílias que ocuparam a fazenda Maria Bonita em julho de 2008. Essa fazenda pertencia à Agropecuária Santa Bárbara, que possui cerca de 500 mil hectares de terras nas regiões Sul e Sudeste do Pará para criação de gado e cultivo de milho e soja. Pelo menos dois estudos apresentados pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará comprovam a importância do acampamento Dalcídio Jurandir. O professor de Educação no Campo da UNIFESSPA Bruno Malheiros, relata os impactos que o despejo pode gerar para região:

A Agropecuária Santa Bárbara pertence à gestora de recursos Opportunity, de propriedade do empresário Daniel Dantas que já foi acusado pela polícia federal de liderar uma organização criminosa que fazia lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Daniel Dantas chegou a ser preso duas vezes, mas por uma reviravolta no caso, ele acabou sendo absolvido. Quando os trabalhadores ocuparam a fazenda Maria Bonita, em 2008, a palavra de ordem do movimento era “reforma agrária na terra dos corruptos”.

Na época da ocupação, a Agropecuária Santa Bárbara, do empresário Daniel Dantas, conseguiu uma liminar na Justiça para reintegração de posse. Essa liminar foi protelada por 10 anos, enquanto se negociava um processo de compra e venda da área com o Incra. Com o Governo Bolsonaro, o Incra suspendeu essa negociação e Agropecuária Santa Bárbara voltou a requerer a imediata reintegração de posse.

Depois de três horas de audiência, o juiz Amarildo Mazzutti decidiu por manter a parte do acampamento onde há uma vila, que o juiz chamou de “área urbana”, até que o município de Eldorado dos Carajás apresente um plano de realocamento das famílias.

O município já se manifestou dizendo que não tem condições de garantir essa determinação, como reafirmou o presidente da Câmara Municipal, Edson Vieira (MDB): “Nós não temos condições de assumir aquilo que o juiz determinou. Nós não temos área pra fazer um bairro pra eles. O que nós vamos ajudar é que eles permaneçam em cima da terra, lá é o lugar deles”.

Já na área dos lotes, onde vive e trabalha a maior parte das famílias do acampamento Dalcídio Jurandir, o juiz Amarildo Mazzutti determinou a desocupação no dia 17 de setembro deste ano. “Avaliamos que foi uma decisão equivocada. Esse juízo poderia aguardar a decisão de mérito da setença, uma vez que o processo já tramita há pelo menos 10 anos”, disse o advogado Nildon Deleon, da Sociedade Paraense De Defesa Dos Direitos Humanos, que esteve na audiência.

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