Noticiário SDDH

MANIFESTO 8 de Março de 2020 O DIA DE LUTA


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O DIA DE LUTA


            Dia 8 de Março representa no âmbito Internacional a nossa luta histórica pela reafirmação de conquistas e direitos em defesa de uma sociedade justa, plural e livre de opressão. Cada uma dessas conquistas é resultado da firme organização popular. Ainda assim, continuamos vítimas da exploração, do profundo machismo e racismo que nos violentam todos os dias.


 

Pela vida das mulheres e de todos e todas que vivem na opressão avançamos, resistiremos!!!


 

            É necessário estarmos juntas para somar em todas as frentes desta batalha. Só assim ampliaremos os nossos direitos e protegeremos os nossos corpos e territórios. É com espírito de luta e resistência que as mulheres abrem, com muita garra e força, o calendário de mobilizações e protestos em âmbito internacional contra todas as formas de exploração, opressão e violência.



            Brasil, e particularmente na Amazônia, a Frente Feminista do Pará, coletivos, movimentos de mulheres espalhados pela nossa região dizem Não ao governo de Bolsonaro/Mourão. Não à ditadura em curso no país. Bolsonaro é a representação máxima do país A FAVOR DO CAPITAL, do abuso de autoridade, de desrespeito à existência e aos corpos das mulheres, das indígenas, das quilombolas, da comunidade LGBTQIs e de todos e todas que se negam a pactuar com suas políticas contra os direitos humanos, os direitos ambientais, dentre outras reivindicações do campo progressista.



            Como um projeto de governo patriarcal, machista, racista, conservador, as políticas deste governo eliminaram, em um ano, conquistas históricas construídas em todos os campos sociais, culturais, econômicos, políticos, etc. Todos do povo perderam, mas quem mais perdeu foram as mulheres, as maiores vítimas desse governo opressor. As marchas de Mulheres no mundo são exemplos disso.



            O movimento “Ele Não”, realizado no Brasil em 2018, foi soberano no sentido de afirmar a força da nossa união e das mulheres de diversas partes do mundo, que já apontavam para um cenário de retrocesso, avanço do fascismo e perdas de direitos fundamentais para toda classe trabalhadora, em especial para as mulheres.


 

MULHERES DA AMAZÔNIA CONTRA TODAS AS VIOLÊNCIAS DE GÊNERO


 

            Nós, feministas, mulheres urbanas, negras, camponesas, atingidas por barragens, indígenas de diferentes territórios da Amazônia Paraense, temos sido ameaças constantemente pelo projeto neoliberal “desenvolvimentista” dos grandes projetos, classista, machista, racista, pela invisibilidade na política, pelo capital que mata nossas lideranças, expropria nossos territórios e nossas águas. Nossos corpos são assediados e violados em espaços públicos e privados, nossa imagem na mídia ainda é reduzida a um objeto de desejo e consumo, nossas escolhas sexuais e reprodutivas são desrespeitadas e criminalizadas, somos torturadas em presídios quando o Estado devia ser o primeiro a proteger. Seguimos sendo golpeadas no atual contexto de reformas extremamente prejudiciais ao povo brasileiro, com a perda iminente de direitos trabalhistas, previdenciários, ambientais, educacionais, entre outros. Nós, mulheres, estamos sendo violentadas mais uma vez, e somos as principais prejudicadas com o desmonte do estado brasileiro, com o desgaste da democracia e fomento do ódio contra as minorias políticas com essa projeto de desmonte de todos os direitos do nosso povo, em específico para nós mulheres da Amazônia.


 

             Vivemos na Amazônia brasileira é o Pará é o 10° Estado da Federação com o maior número de vítimas de feminicídio do Brasil, constituindo-se o 5º país no mundo com maior número de mulheres assassinadas. A grande maioria dessas mortes são de Mulheres negras!


 

            O Pará ainda é o estado da região norte que mais mata mulheres em crimes de ódio e está entre os 10 maiores índices do Brasil segundo dados de matéria recente feita pelo G1 com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal. Como se mergulhássemos dentro de um grande pesadelo, vivenciamos a dor pela perda de muitas companheiras. No Brasil, a cada 2 minutos, 5 mulheres são espancadas, e a cada 11 minutos, uma mulher é estuprada.


 

            Essa realidade reflete o descaso pela falta de políticas públicas eficazes que garantam nossa segurança. As violências são inúmeras e cotidianas: de importunos em transportes coletivos, por exemplo, a repetidas agressões psicológicas e físicas, sejam no trabalho ou em casa, assassinatos feminicídio pelos próprios companheiros, ex-companheiros ou pessoas com algum laço familiar/de confiança. Somos violentadas nas empresas, nas ruas, em casa, nas redes sociais da internet. Queremos proteção a nossas vidas e ir e vir em segurança, mas ainda sofremos com o aumento da violência doméstica e sexual, evidenciando a força do patriarcado sobre as mulheres.


 

            Nós dizemos basta a violência contra as mulheres e dizemos juntas que chega de todas as formas de violência que nos oprimem e nos matam. Não nos calaremos diante de tanta opressão POR NOSSAS VIDAS, RESISTIREMOS!


 

MULHERES DA AMAZÔNIA CONTRA TODAS AS VIOLÊNCIAS E A FAVOR DO TRABALHO DIGNO


 

            O preço da crise econômica vem sendo cobrado, sobretudo das mulheres trabalhadoras. Enfrentamos o aumento abusivo no preço do gás de cozinha e da luz, situação que pode se agravar ainda mais com as iminentes privatizações anunciadas para o próximo período. Até o direito à água e à própria vida tem sido violado. Segundo a pesquisa do DIEESE, em 2019 sobre a inserção ao mercado de trabalho, na região NORTE notamos que o maior índices de desempregos é entre mulheres 12,1% enquanto homens de 7,2%. A falta de creches é um agravante, tira a possibilidade de ida das mulheres para garantir sua sustentabilidade e de sua prole através da possibilidade de acessar atividade de trabalho.



POLÍTICAS PUBLICAS E REFORMA DA PREVIDÊNCIA DE HELDER SÃO AS MESMAS DE BOLSONARO



            O caso das jovens mulheres trabalhadoras, que saíram em busca do ganha pão cotidiano, em janeiro deste ano em Marituba, Região Metropolitana de Belém, e que não voltaram mais para suas casas, não pode ser apenas estatística. Elas costumavam fazer divulgação de seus produtos/serviços nas redes sociais. Serviços como estes, precarizados, dados a “ubertização” do trabalho, pois são totalmente desprotegidos de leis trabalhistas.


 

            Somente no coletivo e com organização popular é que podemos mudar esse quadro de injustiça social, degradação humana e desamparo estatal. As leis e políticas públicas que deveriam nos proteger estão sendo cada vez mais atacadas, preconizando o atendimento à saúde, à educação, à assistência e acesso ao trabalho.

 

            A Proposta de Emenda Constitucional (PEC 16/2019) da reforma da Previdência foi aprovada a portas fechadas e sem participação da sociedade civil na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (ALEPA) e sancionada pelo governador Helder Barbalho (MDB), autor do projeto. Em consonância com a reforma aprovada em âmbito federal e com os projetos em discussão em outros estados, o governo propõe elevar de 11% para 14% a alíquota de contribuição, e limitar o direito à aposentadoria integral para as mulheres maiores 62 anos e homens maiores de 65. Os servidores (mulheres e homens) do estado foram recebidos por cerca de 60 agentes da Tropa de Choque da PM na ALEPA. Nós vivemos uma era da ditadura dos governos. São governos que têm posturas ditatoriais, que adotam essa postura de truculência, a exemplo do governo Bolsonaro. O governador Helder Barbalho tem se revelado seguidor dessa linha. Essa postura de não prestação de contas pública por parte dos governos já se arrasta por anos.



            Na calada da noite, também o governo Federal vêm realizando cortes nos orçamentos e programas da área de educação em especial a educação no campo, a extinção do PRONERA e no ensino superior vêm sufocando as universidades públicas e a ciência e tecnologia com sistemáticos cortes ou contingenciamentos de verbas. Na saúde tivemos um golpe na Saúde da Família com as mudanças na estrutura da Estratégia e no financiamento da Atenção básica e extinção do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) pelo Ministério da Saúde. Essas ações vão agravar ainda mais a fragilidade na rede assistencial em saúde se somando ao congelamento dos recursos e financiamento congelados por esse governo na educação, assistência prevista na Emenda Constitucional 95 ou a chamada PEC DA MORTE que congelou a alocação de recursos e investimentos na saúde, educação e assistência por 20 anos.



MULHERES EM DEFESA DA DEMOCRACIA E CONTRA BOLSONARO



            Nós, mulheres defendemos a unidade das/os trabalhadoras/es e o povo nas ruas para derrotar Bolsonaro/Mourão. Desde a campanha presidencial até os dias de hoje, Bolsonaro se declara inimigo das mulheres e do Brasil. Sua última investida foi contra a qualificada jornalista Patrícia Campos de Mello, que investiga a fábrica de Fake News da sua campanha para chegar ao mais alto cargo do país. Para tentar intimidar Patrícia Mello, Bolsonaro a desrespeitou com palavras de cunho sexual. Nós pedimos a saída de Bolsonaro da presidência do país porque toda a sua política nos ataca ferozmente. A privatização de serviços públicos essenciais sobrecarrega principalmente a nós, assim como a facilitação da posse armas e o perdão a agressores que alegarem ter sido movidos por forte emoção na hora do crime. O governo Bolsonaro não apresenta nenhuma solução de políticas públicas para garantir emprego digno às mulheres, nem saúde, nem segurança, nem educação. Só aumentam as denúncias de corrupção contra membros de um governo que chegou ao poder com sérias propagações de fake News, notícias falsas que manipularam os eleitores. Um homem que disse não estuprar a deputada Maria do Rosário porque ela era feia e não merecia realmente, não merece ser presidente de nosso país.



MARIELLE, PRESENTE! JUSTIÇA!!!


 

            A vereadora Marielle Franco é um símbolo da resistência contra o machismo e o racismo que violentam mulheres e jovens no Brasil, especialmente as negras e pobres e foi uma liderança que trabalhou em defesa de populações historicamente excluídas de políticas públicas e alcançou um cargo político. Ela foi assassinada em 2018 sob muitos indícios de participação de agentes do Estado e do crime organizado, o que se configura como um crime político. Marielle ainda foi vítima de notícias falsas mesmo depois de assassinada, numa clara tentativa de deslegitimar sua luta. O Estado brasileiro até hoje não respondeu: quem matou e quem mandou matar Marielle. Por tudo isso, Marielle representa para nós mulheres do país e do mundo uma luta por JUSTIÇA!!!


 

“COMPANHEIRA ME AJUDE QUE EU NÃO POSSO ANDAR SÓ, EU SOZINHA ANDO BEM, MAS COM VOCÊ ANDO MELHOR”!


 

            Mesmo diante de todas as violações cotidianas e negação dos nossos direitos, existe uma força que nos faz acreditar e lutar, pois NÓS MULHERES SOMOS COMO AS ÁGUAS DOS RIOS, CRESCEM QUANDO SE JUNTAM!


 

#NENHUM DIREITO É PERMANENTE SEM A CONSTANTE LUTA DAS MULHERES!


 

#SÓ NÓS SABEMOS POR QUE ESTAMOS LUTANDO E SÓ NÓS PODEMOS MUDAR TUDO!


 

FRENTE FEMINISTA