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13 DE MAIO


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Por Domingos Conceição

 

            Esta data marca no calendário da República Velha o enfrentamento entre o Estado escravocrata; os fazendeiros de escravos; o governo e o primeiro movimento social brasileiro: o abolicionista, ainda que a historiografia e as ciências sociais brasileira não o reconheça como tal.

 

            A escravidão e o escravo, objeto construído estruturalmente, pelas três instituições acima referidas viajam no tempo e no espaço, como se a subalternização e desigualdade geradora do racismo que estrutura a dominação pelas classes dominantes, fizessem com que 132 anos passados, devesse ser esquecido e que a liberdade estivesse em pleno o vigor.

 

            Entre todos os riscos de desigualdade constante contra a população preta estar o dia seguinte: 14 de maio de 1888, até o presente. Quando um sonho de véspera alertava que estava por via a emancipação, nego-velho acreditou que a Princesa Izabel portuguesa trouxera para o regime vigente o fim de servidão.

 

            Enganou-se tal sonhador, naquele 14 em diante, a fome que já era constante se alastrou; a casa para morar que nunca foi sua deixou de existir; a senzala restrita se alargou entre todos os que dali em diante a abolição libertou. Joaquim Nabuco declarou: uma nova abolição precisa ser feita!

 

            O 13 de maio de hoje, nos traz para um novo risco enfrentar, sem contar que entre os 210 milhões de brasileiros, os pretos representam 54% desta população e, com isso o Brasil se constitui no segundo país fora do Continente Africano com a maior população afrodescendente, diante da pandemia enfrentada pelo mundo: Quem destes seres humanos morrerá em maioria?

 

            No Brasil, são os pretos pinhados em favelas e periferias, as senzalas dos nossos tempos, sem esquecer também dos pobres, vítimas da “Necropolítica” que o capitalismo já vinha executando, agora com o “Coronavírus e o Covid-19” se tornou uma prática efetiva de limpeza étnica naturalizada entre nós.

 

            Por fim, a desigualdade gerada pelo capital, regime que estrutura o racismo naturalizado pela governança assassina do atual Presidente da quase morta “Nova República”, que desconsidera a vida em detrimento do dinheiro, nesta data só nos resta a defesa da VIDA em busca da construção de uma nova humanidade.

 

            Para isso, a luta deve ser pelo estabelecimento de políticas públicas de Estado, cidadania, direitos humanos, combinada com ações coletivas de combate ao racismo, discriminação racial e preconceito racial. Ativar a ideia retomado por Florestan Fernandes de uma “outra abolição”.



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Domingos Conceição é Professor de Sociologia; Filosofia; Militante
Afrodescendente do MOCAMBO e Mestre em Serviço Social.



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