Noticiário SDDH

Obrigado Bruno Sechi. Siga em paz!


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Não precisamos de super-herois ou heroínas neste mundo. Precisamos de homens e mulheres como Margas e Paulinhos. Como Ulisses e Dorotys, Como Izas e Brunos. Sim. Estas pessoas é que tornam nosso mundo mais vivível, mais bonito apesar dos horrores que nos deparamos no dia a dia.

Dói ver crianças ou fiéis imitando um presidente fazendo arminha com as mãos.

Dói ver parte do povo do Pará elegendo fascistas que idolatram a morte a ponto de se auto-declararem “bancada da bala”.

Dói ver a aprovação de parte da população à pena de morte ou redução da maioridade penal.

Dói ver o fim o uso político dos conselhos tutelares.

O coração de Padre Bruno, deveria sofrer com cada uma dessas dores. Desses atos que tanto combateu por toda sua vida.

Então, nesse momento de perda, de orfandade coletiva, devemos nos perguntar e provocar os que estão do nosso lado: Quem lutou mais contra a violência em nosso Estado? Os que matam e torturam? Ou quem ensinou nas oficinas da república a como aprender um ofício e ganhar o pão? Quem defendeu mais a vida?

Quem andou por décadas em caminhões da campanha de Emaús pedindo e distribuindo solidariedade ou quem se encastela em luxuosas mansões dos bairros “nobres” de Belém? Quem fez mais pelo nosso povo? Quem deu tudo e viveu com simplicidade entre as crianças e adolescentes do Benguí e Jurunas ou quem acumulou fortunas explorando estas mesmas crianças e suas famílias?

Quem salvou mais vidas? Os que estimulam a liberação de armas? Ou quem deu livros e esperança na forma de trabalho e comida nos restaurantes da república? O que afinal é mais importante? O “Eu” “meu” “Minha”? ou os “nossos dons” e “nossas” vidas?

É um momento difícil para todos e todas nós. Muitas perdas. Muitas saudades. Muitas incertezas. Mas a esperança que a vida de Padre Bruno nos traz na memória e no exemplo, não nos permitem vacilar nesse momento histórico de luta pelo direito à vida e a um mundo melhor.

Obrigado Bruno Sechi. Siga em paz!

Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos

Foto: Jean Brito



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