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Mais um capítulo na história de resistência do Amapá


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Situação enfrentada pelo Amapá expos desemparo do governo federal à região amazônica, onde está a maioria das hidrelétricas que atendem o país, mesmo assim os moradores pagam as tarifas mais caras


Por Flávia Ribeiro


A história do Amapá conta que a resistência do seu povo antecede a chegada dos portugueses ao Brasil. Neste ano, um novo capítulo foi escrito. Em tempos de pandemia de Covid-19, o novo coronavírus, sua população teve que enfrentar mais de vinte dias sem energia elétrica e com isso, sem abastecimento de água, sem poder armazenar alimentos, sem telefonia e outros serviços básicos. Todo esse problema enfrentado pelo Macapá expôs o total desamparo do poder público, em relação à região amazônica. A vida está se restabelecendo, não no novo normal, mas na resistência, como sempre.


A vida dos amapaenses mudou após uma explosão seguida de incêndio, ocorridos em 03 de novembro passado comprometeu três transformadores na mais importante subestação do estado, que fica em Macapá, capital do estado. Durante 22 dias, quase 800 mil pessoas de 13 dos 16 municípios do estado foram afetadas. 


Dois dias após o apagão, o governo estadual decretou estado de calamidade pública. Foi lançado plano de ação para retomada da energia. O documento trazia a recuperação de um dos transformadores incendiados, a aquisição de termelétricas e chegada de um novo transformador. 


Ação da Justiça

No dia 07 de novembro, a Justiça Federal chegou a determinar o restabelecimento da energia em três dias, sob pena de multa de R$15 milhões. No dia seguinte, começou o sistema de rodízio de energia elétrica, que levou o serviço de seis em seis horas e depois, de três em três horas por região. Mas houve denúncias de que nos bairros mais nobres, a energia elétrica não foi interrompida.


A justiça federal ainda determinou que a União viabilizasse o auxílio emergencial de R$ 600 por dois meses, para famílias carentes das cidades prejudicadas com o apagão, totalizando.


No dia 11 de setembro, a pedido do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu adiar as eleições, no entanto, somente em Macapá.



Visita de Bolsonaro

Somente dezenove dias após o início dos transtornos enfrentados pela população do Amapá, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) visitou o estado. Ele participou de algumas cerimônias para ligar parte dos geradores termoelétricos e anunciou medida provisória que isentaria os consumidores atingidos com o apagão de pagarem a conta de energia. A MP foi editada no dia 25 de novembro e a isenção é referente aos 30 dias anteriores.


A presença dele acirrou os ânimos e provocou mais protestos, pois os geradores ligados por ele, não restabeleceram o serviço. Em declaração, mencionou que o governo federal fez "todo o possível para restabelecer a energia". 


Uma onda de protestos foi iniciada em várias cidades, com a população exigindo o restabelecimento do serviço e a responsabilização dos culpados. Segundo registros da Policia Militar, mais de 120 manifestações foram registradas.


Crise na saúde

Com o mundo enfrentando a pandemia de Covid-19, o novo coronavírus, o atendimento de saúde do Amapá foi prejudicado também. Os principais hospitais do estado, que estão concentrados na capital, Macapá, entre eles o Hospital das Clínicas (HC) e o de Emergências (HE), tiveram que recorrer a geradores à óleo diesel. A única maternidade pública do estado, no Centro de Macapá, chegou a ficar sem energia. As informações publicadas pela imprensa, à época, davam conta de que mais de dez bebês estavam internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal.


No Pronto-Atendimento Infantil (PAI), único pronto-socorro pediátrico do estado, houve registro de crescimento no número de atendimentos de crianças com irritações gastrointestinais, que provocam vômito e diarreia. A suspeita de responsáveis e dos profissionais de saúde é que problema tivesse ligação com o apagão energético.


Outro problema foi que as unidades hospitalares ficaram sem água. No HE, principal pronto-socorro da capital, houve interrupção de cirurgias após ficar momentaneamente sem óleo diesel para os geradores.


Vale ressaltar que a região amazônica abriga quatro das cinco grandes usinas hidrelétricas em operação no país, mas os moradores dos seus estados pagam as tarifas mais caras do país.


Fotos: Hugo Barreto - Mídia Ninja, Rudja Santos - Amazônia Real

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