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Consciência negra no presente


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Por: Domingos Conceição

Hoje, pensar como pensou o Movimento Negro no final dos anos 1970 e por toda a década de 1980, que o levou a definir o 13 de maio como incompatível para representar a emancipação e inclusão da população negra na sociedade brasileira.

Os negros de todos os estados brasileiros, organizados em movimentos negros, definiram que não iriam comemorar mais o 13 de maio como um marco de referência de sua libertação, mas o dia da morte de Zumbi dos Palmares (1595-1695).

Tomaram então, o 20 de novembro de 1987 para reafirmar a luta de mais de 100 anos contra o Império brasileiro, que por volta de 1695, destruiu o Quilombo dos Palmares, dizimando mais de 30 mil moradores desse território negro, como a primeira “República Brasileira”.

Entre, os seus líderes assassinados estava Zumbi que sofreu uma emboscada, traído por Ganga Zumba, que também era de Palmares. Zumbi foi assassinado, com requinte de brutalidade e crueldade e exposto em praça pública para servir de amaça aos demais negros.

Assassinado esquartejado, separados suas partes como se faz com gado no matadouro, exposto em praça pública no Recife, onde sua cabeça foi exposta em um tronco, para mostrar aos outros negros e a sociedade, de que o poder do Império era capaz.

Hoje, esse tipo de crime contra a população negra e pobre no Brasil é muito comum, inclusive considerado como genocídio da população negra. E nesta conjuntura, o próprio Presidente da República o incentiva, quando simboliza com o gesto de “arminha” e com o seu discurso racista persistente.

O discurso racista do Presidente e a prática de vários de seus ministros, vai à direção de agravar a senzala dos negros brasileiros no campo e na cidade. O exemplo, bem evidente disto estar na negação do Ministro da Educação em reduzir, cortar as bolsas destinadas aos quilombolas e ameaçar acabarem os programas e as políticas de cotas destinadas aos negros.

Como ocorreu há poucos dias em falsa notícia que circulou nas redes sociais e dava conta, em nome do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), de que os jovens negros brasileiros seriam a maioria de estudantes das universidades brasileiras do sistema de cotas. Podemos crer na verdade, que esse tipo de notícia que tem se tornado corriqueira no Brasil com mais ênfase, a partira da campanha eleitoral do atual Presidente, se repete sem que nenhuma providência oficial seja tomada pelas autoridades do poder Judiciário brasileira.

Isto nos alerta, para nos mantermos organizados no sentido de garantir que os poucos direitos nas últimas décadas conquistados não sejam retirados da população negra, como o exemplo, da mentira intencional do caso acima citado. O que nos faz listar um conjunto destas conquistas: a Lei 12.288.2010 (Estatuto da Igualdade Racial); Lei 10.639.2003 (Obrigatoriedade do ensino de história e cultura Afro-brasileira e Africana e outras disciplinas); o Decreto 4887.2003, entre outros diplomas oficiais em favor da população negra, os quais não podem ser postas fim por este governo racista.

Problematizar e refletir criticamente sobre a consciência negra no presente é assumir o dever de casa de todos os quase 13 milhões de negros sequestrados pelos exploradores europeus e aqui escravizados, e que nos deixaram um legado para que avançássemos.

De termos a liberdade maior que a deles, de poder lutar e enfrentar o poder liberal do capital que se impõe a nós através do racismo estrutural e outros mecanismos de opressão da classe dominante branca, para que não nos acovardemos e partamos para a luta incessante, inclusive revolucionária.

Por fim, nestes 20 de novembro de 2019, fiquemos alerta para o que se impõe e o que ainda estar por vir, contra a população negra no sentido de que ele se aproxime mais de um regime tão duro, quanto o que foi a escravidão por mais de quatro séculos no Brasil.


Fotos: Cristivan Alves
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