Hoje (06) novembro, por volta das 11h desta quinta-feira, a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) e o Instituto Zé Cláudio e Maria reuniram-se com a cúpula da Polícia Civil do Pará para tratar do assassinato de duas mulheres quebradeiras de coco babaçu, ocorrido no dia 3 de novembro, no município de Novo Repartimento. As vítimas foram identificadas como Antônia Ferreira dos Santos e Marly Viana Barroso, ambas brutalmente mortas enquanto realizavam a coleta tradicional do babaçu na zona rural do município.
O encontro contou com a presença do delegado-geral da Polícia Civil, do delegado-adjunto e do diretor de Delegacias do Interior, e teve como objetivo cobrar um posicionamento oficial sobre as providências adotadas pelo Estado. Segundo a advogada da SDDH, Jéssica Silva e a Coordenadora Geral Eliana Fonseca, até então as organizações da sociedade civil desconheciam a existência de um inquérito policial ou de qualquer investigação formal conduzida pela polícia. As informações disponíveis eram fruto de articulações comunitárias e levantamentos das próprias entidades.
Durante a reunião, foi entregue um documento com pedido de medidas urgentes, entre elas a instauração imediata de um inquérito policial — procedimento que, de acordo com a Polícia Civil, já foi aberto —, e a notificação tanto do Ministério Público Estadual quanto do Ministério Público Federal para que ambos acompanhem o caso, dada a gravidade do contexto regional.
A advogada destaca que a mobilização ocorre em um cenário de forte tensão agrária e conflitos envolvendo trabalhadoras extrativistas da região. “Estamos falando de um território marcado por disputas de terra, pressões sobre comunidades extrativistas e ameaças constantes. Não podemos permitir que crimes dessa natureza fiquem sem resposta”, afirmou Jéssica Silva.
Ela ressalta ainda que, mesmo com o estado em destaque internacional por sediar a COP30, casos como o de Antônia e Marly não podem ser invisibilizados. “É fundamental que a pauta ambiental e de direitos humanos caminhem juntas. A realização da COP não pode servir de cortina para a violência que atinge quem, de fato, protege a floresta”, completou.
Como encaminhamento, ficou acordado que haverá um fluxo permanente de diálogo entre a Polícia Civil e a sociedade civil organizada, que seguirá acompanhando e cobrando avanços nas investigações
Por Cristivan Alves