Por Calinhos Luz

Na tarde desta quarta-feira (10), a Sociedade Paraense realizou o 19° Prêmio SDDH de Direitos Humanos e a 16° Certificação de Cursistas em Direitos Humanos com participação de várias lideranças de movimentos sociais, indígenas, quilombolas, LGBTQI+, estudantes e professores.

            Em 2025, o mundo celebra os 77 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), um documento histórico que permanece como referência fundamental para a proteção da dignidade humana. No Pará, esta data ganha um significado especial com a realização do 19º Prêmio SDDH de Direitos Humanos, promovido pela Sociedade Paraense de Defesa dos Diretos Humanos—SDDH, uma das mais antigas e respeitadas organizações de defesa dos direitos fundamentais na região amazónica. Criado para reconhecer pessoas, organizações e iniciativas que se destacam na defesa dos direitos humanos no Pará, o reconhecimento reafirma o compromisso da entidade, fundada em 1977, com a proteção de comunidades afetadas por conflitos agrários, violência policial, violações ambientais e desigualdades sociais profundas. Mais do que uma homenagem, o evento torna-se um momento de partilha de histórias de resistência e coragem, dando visibilidade a iniciativas que muitas vezes atuam em condições adversas, mas que continuam a transformar vidas e comunidades.

            Para Marco Apolo, advogado da entidade, o reconhecimento da luta dos defensores é importante para a defesa da vida na Amazônia e de seus povos. “Nós temos que ser uma trincheira na defesa da vida, da Amazônia e dos territórios indígenas e quilombolas. Nunca foi tão importante se falar em Direitos Humanos exatamente por tantas violações que acontecem no Brasil e no mundo e o 19° Prêmio SDDH reconhece a importância dessas lideranças que lutam em defesa da vida e de seus territórios. Ao mesmo tempo, fizemos a certificação das pessoas que participaram do curso em Direitos Humanos realizado pela entidade. Este curso também é a contribuição da SDDH no campo da formação que possibilita o debate e o estudo sobre a luta dos defensores em Direitos Humanos”, afirma Apolo.

            O Coletivo Carlota, movimento LGBT do município de Cametá, foi uma das entidades que recebeu o Prêmio. Libert Lima, travesti e membro do coletivo, ressalta a importância do reconhecimento da entidade aos defensores e defensoras de Direitos Humanos na Amazônia. “Nós defendemos a saúde integral para as pessoas LGBTs, defendemos que sejam assegurados os direitos fundamentais destas pessoas e o coletivo surge com o objetivo de fazer a luta em defesa destes direitos, ser um espaço de acolhimento e apoio às pessoas vítimas de preconceito e organizá-las para o enfrentamento contra toda forma de opressão. Ficamos felizes com atitude da SDDH, porque, em cinco anos de existência do coletivo, esta é a primeira vez que nossa luta é reconhecida e isso só nos fortalece e nos encoraja cada vez mais em continuar nossa luta”, conclui Lima.

Entrega do Prêmio para Irmã da Auricélia Arapiun, Auriene Arapiun

            Auricélia Arapiun, liderança indígena da aldeia São Pedro do Muruci, município de Santarém, região do Baixo Tapajós, também foi uma das homenageadas durante a entrega do 19° Prêmio SDDH em Direitos Humanos. Auriene Arapiun, representou a liderança no evento e afirma que a luta dos povos indígenas se fortalece com a entrega do prêmio. “Reforçamos a importância da valorização da luta dos defensores em Direitos Humanos por parte da SDDH e esta entrega não só reconhece a luta dos povos indígenas como também a luta de outros movimentos sociais que lutam na defesa de seus territórios e que acreditam na justiça social. Este reconhecimento dá visibilidade às lutas destes movimentos e comprova que temos que continuar nas trincheiras da defesa e garantia de nossos direitos’, confirma Auriene.

Lançamento da nova edição do Jornal Resistência: voz impressa e agora digital na defesa dos direitos humanos no Pará

           

Durante a entrega do 19° do Prêmio SDDH também aconteceu o lançamento da nova edição do Jornal Resistência que agora também é encontrado na versão digital. O Resistência surgiu ainda nos primeiros anos de atuação da SDDH, durante os anos 1980, num contexto de forte repressão, conflitos de terra e violações sistemáticas contra trabalhadores rurais, indígenas, mulheres e comunidades negras. Naquele período, o acesso à informação era limitado, e a maior parte dos meios de comunicação ignorava ou distorcia denúncias vindas de movimentos sociais e lideranças comunitárias. O jornal Resistência traz reportagens sobre direitos humanos no Pará, entrevistas com lideranças comunitárias, análises de conjuntura, artigos de opinião e poesias.

            O coletivo de comunicadores e comunicadoras da SDDH é responsável pela construção do jornal que é feita totalmente de forma coletiva, A proposta do jornal é levar informação acessível, contextualizada e comprometida, algo cada vez mais essencial num cenário marcado pela desinformação e pela invisibilização de violações que afetam sobretudo os grupos mais vulneráveis e, Ao optar por um formato digital, a SDDH procura ampliar o alcance da publicação e  permite circulação ampla, partilha imediata e acesso também gratuito, fortalecendo a visibilidade nacional e internacional das pautas amazônicas.

            Para Mateus Botelho, jornalista e membro do coletivo de comunicadores e comunicadoras da entidade, ressalta a importância desta ferramenta de comunicação popular. “O jornal Resistência está prestes a completar 50 anos de existência e traz importantes vozes de lideranças e movimentos sociais da Amazônia e cumpre um papel fundamental na divulgação e fortalecimento destas lutas na região. O jornal é feito de forma coletiva e participar desta construção do Resistência é um momento muito enriquecedor, pois fortalece as experiências de comunicação popular em nossos movimentos’, esclarece Botelho.

Link de acesso ao Jornal Resistência: https://drive.google.com/drive/folders/1sB-OIOE6-sertiqlwuWjml6mNKY5GDgm?usp=sharing

Foto: Carlinhos Luz